Praticamente amor a primeira vista foi o que aconteceu
Quando vi tanta ternura minha alma amoleceu
Não pude resistir e me entreguei à tentação
E hoje à dona dos olhos verdes pertence meu coração.
sábado, 26 de dezembro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Vivendo nas Nuvens
Basta sua companhia para meus pensamentos irem à Lua
Onde eu posso brincar e ser feliz entre as estrelas
Desejando nunca mais voltar ao planeta Terra.
Segurar sua mão faz da minha vida uma eterna primavera
Refrescando-me no insuportável calor do verão
Agasalhando-me no frio agourento do inverno.
Seu amor preenche minha alma com belas canções
As quais faço propagar a plenos pulmões pelos quatro cantos
Fazendo questão que todos saibam o que transpareço.
Singelas são estas palavras:
EU AMO VOCÊ!
Tão descomplicado assim!
* inspirado na Música Fly me to the Moon de Frank Sinatra.
Onde eu posso brincar e ser feliz entre as estrelas
Desejando nunca mais voltar ao planeta Terra.
Segurar sua mão faz da minha vida uma eterna primavera
Refrescando-me no insuportável calor do verão
Agasalhando-me no frio agourento do inverno.
Seu amor preenche minha alma com belas canções
As quais faço propagar a plenos pulmões pelos quatro cantos
Fazendo questão que todos saibam o que transpareço.
Singelas são estas palavras:
EU AMO VOCÊ!
Tão descomplicado assim!
* inspirado na Música Fly me to the Moon de Frank Sinatra.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Ermo
O produto de um lar quebrado
Nunca foi confiável
Sempre à beira da esquizofrenia.
Outrora tomado pelo silêncio
Hoje é o caos quem imperada
Onde apenas sobrou desolação.
A razão ninguém sabe explicar
Mas a voz não quer se silenciar
Não pára de dizer falsas verdades.
Apenas leal aos interesses próprios
Hoje passa os dias na solidão
Em um local onde ninguém tem acesso.
A prisão construída em seus pensamentos
Impede-o de correr estrada afora
Impede-o de trocar experiências.
Tudo por causa de um lar quebrado...
Nunca foi confiável
Sempre à beira da esquizofrenia.
Outrora tomado pelo silêncio
Hoje é o caos quem imperada
Onde apenas sobrou desolação.
A razão ninguém sabe explicar
Mas a voz não quer se silenciar
Não pára de dizer falsas verdades.
Apenas leal aos interesses próprios
Hoje passa os dias na solidão
Em um local onde ninguém tem acesso.
A prisão construída em seus pensamentos
Impede-o de correr estrada afora
Impede-o de trocar experiências.
Tudo por causa de um lar quebrado...
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Lindas Bolhas de Sabão
Alguns sonhos são como lindas bolhas de sabão
Sobem aos céus quase atingindo a imensidão
E estouram causando decepção.
Algumas pessoas são como crianças
Ignoram as leis da física e põem-se a sonhar
Com o objetivo de elevá-los à imensidão.
Tais pessoas continuam buscando seus sonhos
Assim como as crianças assopram lindas bolhas de sabão
Não se importando se chamados de tolos serão.
São tais pessoas que deixam o azul do céu mais bonito
Com suas lindas bolhas que refletem a luz divina
Transformando a realidade em um lugar multicolorido.
E aqueles que estão vivos continuam assoprando bolhas de sabão
Procurando por todo canto a sorte que lhes esperam
Até que um dia atinjam a imensidão das nuvens.
Sobem aos céus quase atingindo a imensidão
E estouram causando decepção.
Algumas pessoas são como crianças
Ignoram as leis da física e põem-se a sonhar
Com o objetivo de elevá-los à imensidão.
Tais pessoas continuam buscando seus sonhos
Assim como as crianças assopram lindas bolhas de sabão
Não se importando se chamados de tolos serão.
São tais pessoas que deixam o azul do céu mais bonito
Com suas lindas bolhas que refletem a luz divina
Transformando a realidade em um lugar multicolorido.
E aqueles que estão vivos continuam assoprando bolhas de sabão
Procurando por todo canto a sorte que lhes esperam
Até que um dia atinjam a imensidão das nuvens.
sábado, 22 de novembro de 2008
A versão da menina
Era seu primeiro dia na vizinhança. Ainda ao ajudar sua mãe a trazer algumas caixas para dentro de casa, percebeu que alguém a observava através de uma janela situada no imóvel ao lado, por uma pequena brecha na cortina. Tratava-se de um menino de cabelos encaracolados que a deixou muito intrigada.
Os dias se passaram. Toda manhã ela o via ir à escola. Durante a tarde não tirava o do seu pensamento e por isso estava arquitetando um plano, a fim de conhecê-lo melhor. Bolou uma idéia mirabolante. Iria propor uma troca de fitas cassetes, cabendo a cada um gravar aquilo com que mais se identificassem. Assim, ambos se conheceriam melhor. Tomou uma boa dose de coragem e seguiu rumo à casa vizinha.
Tocou a campainha e o menino não demorou a abrir a porta. A face dele ficou branca subitamente, mas aos poucos foi sendo tomada por um tom escarlate. Ele tentou dizer algo, mas não conseguia. Percebendo-se da timidez do menino, a ruivinha logo tomou a iniciativa da conversa, e propôs a sua idéia das fitas a ele, que apenas acenou positivamente com a cabeça.
Ao chegar a sua casa, a ruivinha correu até o armário de seu pai, onde fica guardada a filmadora da família. Escolheu a música “without you” da Mariah Carey. Achava que era uma música romântica, ainda que não entendesse bem o conteúdo da letra. Posicionou a câmera e pôs-se a cantar e dançar (ainda que a música não fosse nem um pouco agitada).
Quando chegou o dia em que iriam trocar as fitas, ela tomou um banho bem demorado, arrumou o cabelo, passou seu perfume predileto e vestiu sua melhor roupa. Toda sorridente, disse para si: “hoje eu vou tirar a sorte grande”.
Dirigiu-se a casa do menino. Agora ela quem estava nervosa, afinal, talvez, seria hoje que beijaria pela primeira vez alguém. Havia se preparado para aquele momento lendo diversas vezes o que a revista “Capricho” ensinava sobre o assunto.
Defronte a porta do imóvel vizinho, tocou a campainha e logo escutou passos rápidos vindo em sua direção. Era o menino quem a atendera, que apenas disse olá, entregou-lhe uma fita e recebeu a outra em troca, para depois, rapidamente adentrar à sua casa. Ainda não havia chegado o momento do primeiro beijo da ruivinha.
Ainda desapontada, caminhou até seu quarto e introduziu a fita que recebera em seu vídeo-cassete. Enfim conheceria melhor o seu amor de cabelos encaracolados. Ele havia gravado um programa sobre a vida dos Pingüins, que passava num daqueles canais que o pai dela assistia.
Enquanto assistia o documentário que o menino havia gravado, um turbilhão de pensamentos negativos passou em sua cabeça. Ele era inteligente e estudioso (ao menos as notas que ele tirava na escola eram altas), e, fatalmente não iria gostar nada do seu desempenho artístico por ser coisa de gente estúpida cantar música pop, além de não entender o que “I can't live if living is without you” significava para ela.
Por alguns dias cogitou em desistir do menino por não se achar digna dele. Vivia se perguntando: “o que uma pessoa como ele vai querer comigo? Como fui tola em achar que teria alguma chance...”. Até que tomou coragem e resolveu ir a ele para se declarar. Repetiu seu ritual de embelezamento, colocou o batom da sorte dentro da bolsa, e, a passos largos foi ao encontro do seu destino.
Assim que veio a atendê-la, o menino quis saber a opinião dela sobre a fita que lhe dera. A resposta dada pela menina foi: “Boiei geral. Você deveria ter gravado uma música, um filme, uma coisa assim, não aquela coisa chata...”.
Não conseguiu nem terminar sua frase. Percebeu que havia magoado o menino, e, apenas desejava sair daí o quanto antes. Eis que ele respondeu: “eu não costumo ouvir música ou assistir filmes, e aquela coisa chata... bem, eu gosto de coisas chatas, desculpa”.
Neste momento um frio mortal percorreu o corpo da menina. Em sua cabeça passava o pior dos pensamentos. Condenava-se sumariamente: “idiota, conseguiu estragar tudo. Agora ele te acha uma burra que só sabe rebolar. Antes tivesse ficado em casa ao invés de vir procurá-lo.”
Desajeitadamente, a ruivinha tirou um batom vermelho de dentro da bolsa que carregava. Nervosa, passou-o por toda sua boca, rezando para que não tenha ficado com cara de palhaço de circo falido. Assim que terminou seu ato desajeitado, a ruivinha pediu a opinião do menino, mas tudo não passava de um pretexto para roubar-lhe um beijo.
Ela aproximou-se dele na tentativa de beijá-lo. Seu coração batia forte e suas pernas estavam estremecidas. Quando os lábios estavam próximos, o menino disse: “estou ocupado agora, acho melhor eu entrar”, virando-lhe as costas e adentrando à sua casa.
A menina correu até seu aposento, encostou-se na parede ao lado do seu guarda-roupa, e começou a chorar compulsivamente. A única coisa que lhe passava por sua cabeça era: “estraguei tudo, acho que vou morrer solteira”. Apenas se escutavam soluços vindos do seu quarto...
Os dias se passaram. Toda manhã ela o via ir à escola. Durante a tarde não tirava o do seu pensamento e por isso estava arquitetando um plano, a fim de conhecê-lo melhor. Bolou uma idéia mirabolante. Iria propor uma troca de fitas cassetes, cabendo a cada um gravar aquilo com que mais se identificassem. Assim, ambos se conheceriam melhor. Tomou uma boa dose de coragem e seguiu rumo à casa vizinha.
Tocou a campainha e o menino não demorou a abrir a porta. A face dele ficou branca subitamente, mas aos poucos foi sendo tomada por um tom escarlate. Ele tentou dizer algo, mas não conseguia. Percebendo-se da timidez do menino, a ruivinha logo tomou a iniciativa da conversa, e propôs a sua idéia das fitas a ele, que apenas acenou positivamente com a cabeça.
Ao chegar a sua casa, a ruivinha correu até o armário de seu pai, onde fica guardada a filmadora da família. Escolheu a música “without you” da Mariah Carey. Achava que era uma música romântica, ainda que não entendesse bem o conteúdo da letra. Posicionou a câmera e pôs-se a cantar e dançar (ainda que a música não fosse nem um pouco agitada).
Quando chegou o dia em que iriam trocar as fitas, ela tomou um banho bem demorado, arrumou o cabelo, passou seu perfume predileto e vestiu sua melhor roupa. Toda sorridente, disse para si: “hoje eu vou tirar a sorte grande”.
Dirigiu-se a casa do menino. Agora ela quem estava nervosa, afinal, talvez, seria hoje que beijaria pela primeira vez alguém. Havia se preparado para aquele momento lendo diversas vezes o que a revista “Capricho” ensinava sobre o assunto.
Defronte a porta do imóvel vizinho, tocou a campainha e logo escutou passos rápidos vindo em sua direção. Era o menino quem a atendera, que apenas disse olá, entregou-lhe uma fita e recebeu a outra em troca, para depois, rapidamente adentrar à sua casa. Ainda não havia chegado o momento do primeiro beijo da ruivinha.
Ainda desapontada, caminhou até seu quarto e introduziu a fita que recebera em seu vídeo-cassete. Enfim conheceria melhor o seu amor de cabelos encaracolados. Ele havia gravado um programa sobre a vida dos Pingüins, que passava num daqueles canais que o pai dela assistia.
Enquanto assistia o documentário que o menino havia gravado, um turbilhão de pensamentos negativos passou em sua cabeça. Ele era inteligente e estudioso (ao menos as notas que ele tirava na escola eram altas), e, fatalmente não iria gostar nada do seu desempenho artístico por ser coisa de gente estúpida cantar música pop, além de não entender o que “I can't live if living is without you” significava para ela.
Por alguns dias cogitou em desistir do menino por não se achar digna dele. Vivia se perguntando: “o que uma pessoa como ele vai querer comigo? Como fui tola em achar que teria alguma chance...”. Até que tomou coragem e resolveu ir a ele para se declarar. Repetiu seu ritual de embelezamento, colocou o batom da sorte dentro da bolsa, e, a passos largos foi ao encontro do seu destino.
Assim que veio a atendê-la, o menino quis saber a opinião dela sobre a fita que lhe dera. A resposta dada pela menina foi: “Boiei geral. Você deveria ter gravado uma música, um filme, uma coisa assim, não aquela coisa chata...”.
Não conseguiu nem terminar sua frase. Percebeu que havia magoado o menino, e, apenas desejava sair daí o quanto antes. Eis que ele respondeu: “eu não costumo ouvir música ou assistir filmes, e aquela coisa chata... bem, eu gosto de coisas chatas, desculpa”.
Neste momento um frio mortal percorreu o corpo da menina. Em sua cabeça passava o pior dos pensamentos. Condenava-se sumariamente: “idiota, conseguiu estragar tudo. Agora ele te acha uma burra que só sabe rebolar. Antes tivesse ficado em casa ao invés de vir procurá-lo.”
Desajeitadamente, a ruivinha tirou um batom vermelho de dentro da bolsa que carregava. Nervosa, passou-o por toda sua boca, rezando para que não tenha ficado com cara de palhaço de circo falido. Assim que terminou seu ato desajeitado, a ruivinha pediu a opinião do menino, mas tudo não passava de um pretexto para roubar-lhe um beijo.
Ela aproximou-se dele na tentativa de beijá-lo. Seu coração batia forte e suas pernas estavam estremecidas. Quando os lábios estavam próximos, o menino disse: “estou ocupado agora, acho melhor eu entrar”, virando-lhe as costas e adentrando à sua casa.
A menina correu até seu aposento, encostou-se na parede ao lado do seu guarda-roupa, e começou a chorar compulsivamente. A única coisa que lhe passava por sua cabeça era: “estraguei tudo, acho que vou morrer solteira”. Apenas se escutavam soluços vindos do seu quarto...
domingo, 7 de setembro de 2008
A versão do menino.
A tarde estava quase acabando quando o menino escutou alguém o chamar. Correu até a porta e um grande susto levou. Estava defronte à sua vizinha, aquela linda ruivinha, que há muito observava.
Ao abrir a porta, apenas gaguejou poucas palavras. Um ruído tímido saiu de sua boca: “boa tarde, o que você faz aqui?”.
A linda ruivinha respondeu que gostaria de conhecê-lo melhor, afinal, eram vizinhos. Propôs uma troca de fitas, na qual gravariam aquilo que mais se identificassem. O tímido garoto concordou com a cabeça.
Ainda suando frio, pôs-se a raciocinar, e logo chegou à conclusão. Gravaria aquele documentário que passa sempre no “Discovery Channel”, sobre Pingüins, afinal, tais aves têm apenas um parceiro durante a vida toda. A fidelidade é a característica mais marcante desta espécie.
Satisfeito com sua brilhante idéia, o menino aguardava ansiosamente o tão esperado dia. Gostava da ruivinha desde o dia em ele se mudou para a vizinhança. Era um amor platônico que poderia sair do plano das idéias. Tinha certeza que ela entenderia a razão da escolha documentário. Trata-se da declaração de amor perfeita, muito melhor do que gravar uma música sertaneja boba.
O grande dia chegou. O som da campainha retumbou pela casa. O menino desceu correndo até a porta gritando para o deixarem atender a porta. Com o coração disparado, trocou palavras cordiais com a ruivinha, trocaram as fitas e quase esqueceu de se despedir.
O menino correu até seu quarto. Antes de fechar a porta pediu para que não o incomodassem. Colocou cuidadosamente a fita em seu vídeo-cassete. A ruivinha se filmou cantando e dançando uma música de uma cantora pop americana. Achou que ela dançava até bem, porém não gostou dos “dotes musicais” da sua vizinha.
Agora era a curiosidade que afligia o menino. Chegara o momento de aguardar o que a opinião da ruivinha sobre sua fita. Ele achou que a sua amada tinha um estilo muito “popular” para gostar de “Discovery Channel” e pingüins. Ela não entenderia o significado daquilo tudo e ainda o taxaria de “nerd” chato.
O tempo demorava a passar para o menino. Quando havia aceitado que talvez eles nunca mais fossem se falar, a ruivinha veio procurá-lo. Mal podendo conter a felicidade, ele quis saber o que ela achara da sua fita.
A resposta da ruivinha foi: “Boiei geral. Você deveria ter gravado uma música, um filme, uma coisa assim, não aquela coisa chata...”. O menino conseguiu balbuciar apenas as seguintes palavras: “eu não costumo ouvir música ou assistir filmes, e aquela coisa chata... bem, eu gosto de coisas chatas, desculpa”.
Neste momento um frio mortal percorreu o corpo do menino. Em sua cabeça passava o pior dos pensamentos. Condenava-se sumariamente: “imbecil, conseguiu estragar tudo. Agora ela te acha um “nerd” insuportável e esnobe. Antes tivesse gravado o último sucesso da música sertaneja.”.
Desajeitadamente, a ruivinha tirou um batom vermelho de dentro da bolsa que carregava. Nervosa, passou-o por aquela boca que o menino achava maravilhosa, que parecia se tornar ainda mais bela a cada segundo. Assim que terminou seu ato desajeitado, a ruivinha pediu a opinião do menino. Queria saber se ele havia gostado da cor do batom.
O menino começou a tremer ainda mais quando percebeu que a ruivinha queria beijá-lo. Tentava achar a palavra perfeita para aquele momento, mas nada veio a sua cabeça. Apenas disse: “estou ocupado agora, acho melhor eu entrar”. Virou as costas e entrou em sua casa, sem sequer se despedir.
Ao fechar a porta, encostou-se na parede com um ar condenado em seu semblante. A única coisa que passava em sua cabeça era: “Além de “nerd” sou amarelão”.
Ao abrir a porta, apenas gaguejou poucas palavras. Um ruído tímido saiu de sua boca: “boa tarde, o que você faz aqui?”.
A linda ruivinha respondeu que gostaria de conhecê-lo melhor, afinal, eram vizinhos. Propôs uma troca de fitas, na qual gravariam aquilo que mais se identificassem. O tímido garoto concordou com a cabeça.
Ainda suando frio, pôs-se a raciocinar, e logo chegou à conclusão. Gravaria aquele documentário que passa sempre no “Discovery Channel”, sobre Pingüins, afinal, tais aves têm apenas um parceiro durante a vida toda. A fidelidade é a característica mais marcante desta espécie.
Satisfeito com sua brilhante idéia, o menino aguardava ansiosamente o tão esperado dia. Gostava da ruivinha desde o dia em ele se mudou para a vizinhança. Era um amor platônico que poderia sair do plano das idéias. Tinha certeza que ela entenderia a razão da escolha documentário. Trata-se da declaração de amor perfeita, muito melhor do que gravar uma música sertaneja boba.
O grande dia chegou. O som da campainha retumbou pela casa. O menino desceu correndo até a porta gritando para o deixarem atender a porta. Com o coração disparado, trocou palavras cordiais com a ruivinha, trocaram as fitas e quase esqueceu de se despedir.
O menino correu até seu quarto. Antes de fechar a porta pediu para que não o incomodassem. Colocou cuidadosamente a fita em seu vídeo-cassete. A ruivinha se filmou cantando e dançando uma música de uma cantora pop americana. Achou que ela dançava até bem, porém não gostou dos “dotes musicais” da sua vizinha.
Agora era a curiosidade que afligia o menino. Chegara o momento de aguardar o que a opinião da ruivinha sobre sua fita. Ele achou que a sua amada tinha um estilo muito “popular” para gostar de “Discovery Channel” e pingüins. Ela não entenderia o significado daquilo tudo e ainda o taxaria de “nerd” chato.
O tempo demorava a passar para o menino. Quando havia aceitado que talvez eles nunca mais fossem se falar, a ruivinha veio procurá-lo. Mal podendo conter a felicidade, ele quis saber o que ela achara da sua fita.
A resposta da ruivinha foi: “Boiei geral. Você deveria ter gravado uma música, um filme, uma coisa assim, não aquela coisa chata...”. O menino conseguiu balbuciar apenas as seguintes palavras: “eu não costumo ouvir música ou assistir filmes, e aquela coisa chata... bem, eu gosto de coisas chatas, desculpa”.
Neste momento um frio mortal percorreu o corpo do menino. Em sua cabeça passava o pior dos pensamentos. Condenava-se sumariamente: “imbecil, conseguiu estragar tudo. Agora ela te acha um “nerd” insuportável e esnobe. Antes tivesse gravado o último sucesso da música sertaneja.”.
Desajeitadamente, a ruivinha tirou um batom vermelho de dentro da bolsa que carregava. Nervosa, passou-o por aquela boca que o menino achava maravilhosa, que parecia se tornar ainda mais bela a cada segundo. Assim que terminou seu ato desajeitado, a ruivinha pediu a opinião do menino. Queria saber se ele havia gostado da cor do batom.
O menino começou a tremer ainda mais quando percebeu que a ruivinha queria beijá-lo. Tentava achar a palavra perfeita para aquele momento, mas nada veio a sua cabeça. Apenas disse: “estou ocupado agora, acho melhor eu entrar”. Virou as costas e entrou em sua casa, sem sequer se despedir.
Ao fechar a porta, encostou-se na parede com um ar condenado em seu semblante. A única coisa que passava em sua cabeça era: “Além de “nerd” sou amarelão”.
domingo, 22 de junho de 2008
Insônia e Narcolepsia
A paixão intensa de outrora se foi
Ela não conseguiu transpor
A extensa barreira que tu criaste.
Tínhamos um lugar só nosso
Onde poderíamos sonhar
E talvez sermos felizes um dia.
Ditaste minha sentença
Não houve mentiras ou traições
Apenas indecisões e devaneios.
Titubeaste entre os parágrafos
Pois ainda sente o doce calor
Que tivemos em nossos lábios.
Olhando nossa fotografia antiga
Percebi algo que permaneceu no ar
Cuja mudança de estação teima em querer levar.
Nosso lugar não existe mais
Minha insônia não me deixa sonhar
Mas acordado consigo construir um lar.
Ela não conseguiu transpor
A extensa barreira que tu criaste.
Tínhamos um lugar só nosso
Onde poderíamos sonhar
E talvez sermos felizes um dia.
Ditaste minha sentença
Não houve mentiras ou traições
Apenas indecisões e devaneios.
Titubeaste entre os parágrafos
Pois ainda sente o doce calor
Que tivemos em nossos lábios.
Olhando nossa fotografia antiga
Percebi algo que permaneceu no ar
Cuja mudança de estação teima em querer levar.
Nosso lugar não existe mais
Minha insônia não me deixa sonhar
Mas acordado consigo construir um lar.
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